De Copacabana à Cidade do México: como os shows redesenharam o consumo na América Latina

Em 3 de maio de 2025, 2,5 milhões de pessoas se reuniram em Copacabana para ver Lady Gaga de graça. Foi o show com maior público registrado para uma artista solo feminina. Mas o impacto não terminou quando as luzes se apagaram. Nas telas de toda a América Latina, o carrinho do Mercado Livre já estava enchendo.

O MELI Trends 2025 confirma isso: na Argentina, no Brasil, no México e no Chile, o que move as buscas é o que as pessoas sentem, ouvem e veem. E 2025 teve de tudo.

Os shows não enchem só estádios. Enchem carrinhos também.

Antes de entrar no detalhe por país, um dado que resume tudo: apenas cinco shows no México geraram um impacto econômico superior a 9,4 bilhões de pesos — equivalente a 69% do que toda a bilheteria de cinemas do país produz em um ano. [1]

As pessoas não vão só ao show. Planejam a viagem, reservam hospedagem, compram roupas e buscam tudo relacionado ao artista com semanas de antecedência. Os shows se tornaram o motor de consumo mais poderoso da região.

Brasil: a febre que veio de Copacabana

A passagem de Lady Gaga, Shawn Mendes e Dua Lipa pelo Brasil movimentou o e-commerce em cheio: as camisetas do Shawn Mendes superaram 3,8 milhões de buscas, o glitter associado à Dua Lipa chegou a 55,4 milhões e os produtos vinculados a Lady Gaga registraram cerca de 98 mil buscas. [2]

Na gastronomia, o pistache teve seu próprio momento viral: superou 5 milhões de buscas, com altas especialmente fortes na Páscoa e no fim de ano. [2]

México: onde a música movimenta milhões

Bad Bunny, Shakira e Lady Gaga dominaram as buscas. A World Tour de Shakira liderou o impacto econômico com 3,247 bilhões de pesos e cerca de 450 mil espectadores; Bad Bunny veio logo atrás, com fãs vindos de 77 países. [1]

Na gastronomia, o México conseguiu algo difícil: equilibrar o viral com o que é próprio. O chocolate Dubai e o matchá explodiram, enquanto o chamoy e a mezcal se mantiveram firmes com milhões de buscas cada um. [3]

Argentina: K-Pop, pistache e uma estrela do fundo do mar

A Argentina entregou os dados mais inesperados do ano. O K-Pop concentrou mais de 15,7 milhões de buscas impulsionadas pela estreia de Demon Hunters, e os looks de show (paetês, brilhos, casaquinhos peludos) dispararam com a chegada de artistas internacionais e locais. [4]

O pistache chegou a 1,2 milhão de buscas e o chocolate Dubai a meio milhão, ambos viralizados pelas redes sociais. E a surpresa veio da ciência: a transmissão de uma expedição submarina do CONICET impulsionou mais de 44 mil buscas pela “estrela bunduda”, gerando altas em telescópios, microscópios e jogos científicos. [4]

Como resumiu Adrián Ecker, Country Manager do Mercado Livre Argentina: “Os dados nos mostram claramente que o consumo também se explica por sua ligação com experiências e fenômenos culturais.” [4]

Chile: Oasis, 31 Minutos e o vinho de sempre

Com mais de 9 milhões de pessoas realizando buscas durante o ano, o e-commerce no Chile viveu um 2025 conectado com a cultura e os eventos ao vivo. Oasis concentrou 380 mil buscas após o anúncio de sua turnê; Dua Lipa registrou 49 mil após seus shows no Estadio Nacional; e 31 Minutos acumulou 310 mil buscas, das quais 92 mil foram ativadas após seu Tiny Desk. [5]

O fato de uma banda de fantoches chilena competir no mesmo ranking que o Oasis é, sinceramente, um dos dados mais bacanas do relatório.

Na gastronomia, o chocolate Dubai, o matchá e o vinho lideraram — este último com 3,8 milhões de buscas, reafirmando seu lugar no consumo local. [5] Como resumiu Camila Cembrano, diretora comercial do Mercado Livre Chile: “Um show, uma série ou um fenômeno viral podem ativar milhares de buscas em questão de horas.” [5]

O que une toda a região

O chocolate Dubai apareceu no Chile, no México e na Argentina. O glitter de show cruzou Brasil, México e Argentina. O matchá viajou de Santiago a Monterrey. A América Latina consome cada vez mais em sincronia: um show em Copacabana, uma música viral em Buenos Aires ou um ingrediente que explodiu no TikTok podem movimentar carrinhos de compra em toda a região em questão de horas.

O consumo latino-americano já não se explica só com demografia e poder aquisitivo. Se explica pelo que as pessoas sentiram, viram e ouviram durante o ano. E se 2025 teve uma imagem icônica, foi a de 2,5 milhões de pessoas em Copacabana. Os dados confirmam que aquele momento não foi apenas uma lembrança: foi também um motor de mercado.

Fontes

[1] Milenio — Conciertos millonarios impulsan a México como potencia musical en 2025 — https://www.milenio.com/negocios/conciertos-millonarios-impulsan-mexico-potencia-musical-2025

[2] Mercado Econ & Consumo Brasil — Dua Lipa, Lady Gaga e Shawn Mendes elevam buscas por moda e beleza — https://mercadoeconsumo.com.br/16/03/2026/ecommerce/dua-lipa-lady-gaga-e-shawn-mendes-elevam-buscas-por-moda-e-beleza-no-mercado-livre/

[3] Fast Company México — MELI Trends revela lo que los mexicanos compraron en 2025 — https://fastcompany.mx/2026/02/27/meli-trends-2025-mexicanos-compraron-en-linea/

[4] El Economista Argentina — Pistacho, K-Pop y una estrella ‘culona’: Mercado Libre revela lo más buscado — https://eleconomista.com.ar/actualidad/pistacho-k-pop-una-estrella-fondo-mar-lo-mas-buscado-mercado-libre-2025-n92405 [5] El Repuertero — Marcas locales, influencia festivalera y chocolate Dubai: las búsquedas que marcaron el 2025 en Chile — https://www.elrepuertero.cl/noticia/sociedad/marcas-locales-influencia-festivalera-y-chocolate-dubai-las-busquedas-que-marcaron-

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