As 6 métricas que você deveria medir no marketing digital e por que metade das marcas está olhando para as métricas erradas

Há dois meses, uma empresa média de varejo me mostrou seu relatório mensal de marketing digital. Página após página de gráficos: alcance, impressões, curtidas, novos seguidores, taxa de engajamento, frequência, share of voice… O relatório tinha 47 slides.

Fiz uma única pergunta: “Quantas vendas atribuíveis as campanhas geraram este mês?” Silêncio. Essa informação não estava no relatório.

Essa cena se repete todas as semanas em empresas chilenas e latino-americanas. A indústria do marketing digital passou anos produzindo mais dados do que decisões. E isso acontece porque a maioria das equipes está medindo as coisas erradas — não por má-fé, mas porque KPIs de vaidade são fáceis de mostrar, enquanto KPIs de negócio são mais difíceis de explicar.

Se você é dono de empresa ou Head de Marketing, este é o momento de auditar quais métricas está acompanhando. Estas são as seis que realmente importam.

1. CAC — Customer Acquisition Cost

O custo de aquisição de cliente é quanto custa, em média, conquistar um novo cliente. Ele é calculado dividindo o total investido em marketing e vendas em um determinado período pelo número de novos clientes adquiridos nesse mesmo período.

Se você gasta USD $10.000 em mídia e vendas em um mês, e conquista 50 novos clientes, seu CAC é de USD $200.

Sem CAC, você não sabe se suas campanhas são rentáveis. Uma campanha com um CTR brilhante e um CAC de USD $800 para um produto de USD $100 é uma catástrofe disfarçada de sucesso. Se o seu CAC é maior que a margem bruta da primeira compra, você está financiando crescimento com prejuízo.

2. LTV — Lifetime Value

O valor de vida do cliente é quanto um cliente médio gera, no total, durante toda a sua relação com a sua marca. Ele é calculado multiplicando o ticket médio pela frequência anual de compra e pela duração média do relacionamento.

Se um cliente compra USD $50 quatro vezes por ano e permanece com você por três anos, seu LTV é de USD $600.

O LTV é a métrica que justifica o CAC. A regra mais conhecida do SaaS e do e-commerce moderno, popularizada por David Skok, da Matrix Partners, é a seguinte: uma empresa saudável deveria ter uma relação LTV/CAC de pelo menos 3:1 [1]. Abaixo disso, a economia unitária começa a ficar pressionada, e escalar significa perder dinheiro mais rápido. Acima de 5:1, provavelmente você está subinvestindo em aquisição e deixando crescimento sobre a mesa.

3. ROAS — Return on Ad Spend

O retorno sobre o investimento publicitário mostra quantos pesos de receita cada peso investido em mídia gera. Ele é calculado dividindo a receita atribuível às campanhas pelo investimento em mídia.

Se você investiu USD $5.000 em Meta Ads e gerou USD $20.000 em vendas atribuíveis, seu ROAS é de 4x.

O ROAS mostra se suas campanhas são rentáveis em nível de canal. Mas atenção: ROAS não é o mesmo que lucro. Um ROAS de 3x com margem bruta de 30% significa que você mal cobriu os custos. O ROAS necessário varia por indústria, mas a regra geral é: ROAS > 1 / margem bruta. Se matemática não é muito a sua praia e você se perdeu nesta parte, fale conosco e revisamos juntos.

4. Taxa de Conversão por etapa do funil

Não basta medir a conversão global. O que importa é saber onde as pessoas caem no funil: do anúncio para a landing page, da landing page para o carrinho, do carrinho para o checkout e do checkout para a compra finalizada.

Quando se mede por etapa, os problemas ficam evidentes. Uma marca com CTR de 2% — bom —, conversão da landing page de 8% — excelente — e abandono de carrinho de 78% — terrível — sabe exatamente onde reforçar seu investimento: não em mais mídia, mas em corrigir o processo do carrinho.

Essa métrica é o que separa campanhas ajustadas à necessidade real daquelas que apenas recebem mais orçamento.

5. Brand Lift

O brand lift mede a mudança em métricas de marca — lembrança, intenção de compra, associações — atribuível a uma campanha. Ele é medido com pesquisas pré e pós-campanha em audiências expostas e não expostas.

Por que isso importa? Porque campanhas de awareness não são desenhadas para vender hoje: são desenhadas para construir memória de marca que vende amanhã. Sem brand lift, campanhas de marca não podem ser justificadas — e é por isso que muitas empresas as cortam injustamente.

O brand lift é o que distingue uma campanha que “não converteu” de uma campanha que “construiu pipeline futuro”.

6. NPS ou CSAT por coorte

O Net Promoter Score ou Customer Satisfaction Score mede a probabilidade de seus clientes recomendarem sua marca ou o quanto eles estão satisfeitos. Mas a versão útil não é a média: é o recorte por coorte.

Se os clientes que entraram em janeiro têm NPS 60 e os que entraram em setembro têm NPS 30, algo mudou na sua proposta de valor ou no contexto entre esses dois momentos. Esse sinal — invisível na média — é ouro para evitar churn antes que ele aconteça.

NPS conectado a coortes é um dos indicadores mais fortes de retenção e crescimento orgânico.

As métricas que você deveria parar de olhar
pelo menos como métrica principal

Para terminar, três métricas que aparecem em quase todos os relatórios e que, sozinhas, não significam nada.

Novos seguidores. Ter mais seguidores não significa ter mais negócio. Contas com um milhão de seguidores e CTR de 0,1% provam isso.

Curtidas e reações. A curtida é a moeda mais desvalorizada do marketing digital. As plataformas recompensam o algoritmo, não a marca.

Alcance e impressões. Se ninguém fez nada depois de ver seu conteúdo, o alcance é ruído publicitário, não resultado.

Essas métricas têm seu lugar — mas como diagnóstico, não como objetivo. Confundi-las com sucesso é a razão pela qual tantas empresas investem em marketing digital e não veem resultado na linha final.

Como mudar a conversa interna

Se a sua equipe entrega relatórios com alcance e impressões como métrica principal, a solução não é trocar a equipe. É mudar a pergunta.

Na próxima reunião de marketing, em vez de perguntar “como fomos?”, pergunte:

  • Qual é o nosso CAC este mês e como ele está evoluindo?
  • Como está a relação LTV/CAC em cada canal?
  • Onde as pessoas estão caindo no funil e o que vamos fazer sobre isso?
  • As campanhas de marca estão movendo o brand lift?

Quando as perguntas mudam, os relatórios mudam. E quando os relatórios mudam, as decisões também mudam.

Medir bem não é complicado. É disciplina e conhecimento.

E é a diferença entre uma empresa que investe em marketing — e vê resultados significativos — e outra que aposta em marketing, mantém a esperança de crescer, mas não vê resultados reais.

Fontes

[1] David Skok, “SaaS Metrics 2.0 — A Guide to Measuring and Improving What Matters” / Burkland Associates, “LTV:CAC — An Important (But Often Misunderstood) SaaS Metric” — burklandassociates.com.

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